Google Desafia Alegações: IA Não Afeta Tráfego de Notícias no Brasil
O gigante da tecnologia Google se defendeu veementemente em resposta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), negando que seus recursos de inteligência artificial, os chamados AI Overviews, estejam prejudicando o tráfego de portais de notícias no Brasil. A empresa atribui a alegada queda na audiência dos veículos jornalísticos a uma mudança mais ampla nos hábitos de consumo da internet, com usuários migrando para plataformas de vídeos curtos e feeds de redes sociais como TikTok e Instagram.
O Foco do Cade na Dominância do Google
A investigação do Cade, que se arrasta desde 2019 e foi reaberta recentemente, visa apurar se o Google estaria abusando de sua posição de mercado ao utilizar conteúdo jornalístico para treinar e aprimorar suas ferramentas de inteligência artificial. Associações do setor e veículos de comunicação argumentam que os AI Overviews entregam respostas prontas diretamente na página de busca, desincentivando os cliques para os sites de origem e, consequentemente, afetando a monetização desses conteúdos. O Google, por outro lado, alega que esses resumos são uma evolução natural do buscador e que já existem mecanismos, como meta tags “no-snippet”, para que os veículos controlem a exibição de seu conteúdo.
Mudança de Hábitos ou Canibalização de Conteúdo?
Em sua defesa, protocolada na última segunda-feira, o Google argumenta que a perda de receita dos veículos não se deve à IA, mas sim à migração do público para ambientes como TikTok e YouTube, onde o conteúdo jornalístico é consumido diretamente no feed. Segundo a empresa, as métricas tradicionais de visitação a páginas web não refletem mais a audiência real, oferecendo uma visão distorcida do mercado. A gigante de tecnologia citou exemplos de portais brasileiros que, segundo ela, teriam se adaptado a esses novos modelos de consumo. Ao mesmo tempo, a empresa evitou debater a remuneração obrigatória pelo uso de conteúdo, reiterando sua posição anterior de rejeição a modelos compulsórios, como os vistos na Austrália e Canadá.
A declaração do Google adiciona uma nova camada de complexidade ao debate sobre o futuro do jornalismo na era da inteligência artificial. Enquanto as empresas de mídia buscam compensação e maior controle sobre o uso de seu conteúdo, o Google defende que suas inovações acompanham as tendências do mercado digital e que a responsabilidade pela adaptação recai também sobre os próprios veículos. A decisão do Cade, que ainda não formalizou uma investigação sobre os AI Overviews, promete ter um impacto significativo em como a mídia e as grandes plataformas tecnológicas coexistirão e se financiarão no Brasil.
📰 Source: Tecnoblog